
{"id":2701,"date":"2013-01-01T00:00:00","date_gmt":"2013-01-01T02:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/transparencia.cfp.org.br\/crp06\/legislacao\/nota-tecnica-sobre-processo-transexualizador-e-demais-formas-de-assistencia-as-pessoas-trans\/"},"modified":"2022-05-19T12:04:00","modified_gmt":"2022-05-19T15:04:00","slug":"nota-tecnica-sobre-processo-transexualizador-e-demais-formas-de-assistencia-as-pessoas-trans","status":"publish","type":"legislacao","link":"https:\/\/transparencia.cfp.org.br\/crp06\/legislacao\/nota-tecnica-sobre-processo-transexualizador-e-demais-formas-de-assistencia-as-pessoas-trans\/","title":{"rendered":"Nota t\u00e9cnica sobre processo transexualizador e demais formas de assist\u00eancia \u00e0s pessoas trans"},"content":{"rendered":"<div>Breve Hist\u00f3rico<\/div>\n<div>A Constitui\u00e7\u00e3o Federal brasileira de 1988 prev\u00ea, como objetivo fundamental, a promo\u00e7\u00e3o do bem-estar de todos, sem preconceitos de sexo e quaisquer outras formas de discrimina\u00e7\u00e3o. A Carta Magna, ainda, prega a sa\u00fade como um direito social de todos, determinando a preval\u00eancia dos Direitos Humanos. Para tanto, o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio da Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos Humanos, a qual tamb\u00e9m estabelece que toda pessoa tem capacidade para gozar direitos e liberdades, sem distin\u00e7\u00e3o de qualquer esp\u00e9cie, seja de ra\u00e7a, seja de cor, sexo e outras.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o obstante, a Lei n\u00ba 8.080\/1990 (que disp\u00f5e sobre as condi\u00e7\u00f5es para a promo\u00e7\u00e3o, prote\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o da sa\u00fade, a organiza\u00e7\u00e3o e o funcionamento dos servi\u00e7os correspondentes) institui os princ\u00edpios do Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), dos quais se destacam o direito \u00e0 universalidade de acesso aos servi\u00e7os, a integralidade de assist\u00eancia, entendida como um conjunto articulado e cont\u00ednuo das a\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os preventivos e curativos, a preserva\u00e7\u00e3o da autonomia das pessoas na defesa de sua integridade f\u00edsica e moral, a igualdade da assist\u00eancia \u00e0 sa\u00fade, sem preconceitos ou privil\u00e9gios de qualquer esp\u00e9cie.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A fim de garantir a efetividade dos princ\u00edpios do SUS, as diretrizes nacionais para a realiza\u00e7\u00e3o do Processo Transexualizador foram regulamentadas pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade (MS), por meio da Portaria n\u00ba 457\/2 008. Essa portaria define como Unidade de Aten\u00e7\u00e3o Especializada no Processo Transexualizador a unidade hospitalar que oferece assist\u00eancia diagn\u00f3stica e terap\u00eautica especializada aos indiv\u00edduos com indica\u00e7\u00e3o para a realiza\u00e7\u00e3o do processo transexualizador, al\u00e9m de considerar que o acompanhamento terap\u00eautico possui as dimens\u00f5es ps\u00edquica, social e m\u00e9dico &#8211; biol\u00f3gica, contemplando, portanto, a(o) psic\u00f3loga(o) como membro da equipe multidisciplinar.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Nos anos de 2011 e 2012, no Relat\u00f3rio do Ano Tem\u00e1tico de Avalia\u00e7\u00e3o Psicol\u00f3gica do Sistema Conselhos de Psicologia, houve a seguinte recomenda\u00e7\u00e3o: Que o Sistema Conselhos recomende um Grupo de Trabalho (GT) na Assembleia das Pol\u00edticas, da Administra\u00e7\u00e3o e das Finan\u00e7as (Apaf), para discutir a elabora\u00e7\u00e3o de Resolu\u00e7\u00e3o que normatize a atua\u00e7\u00e3o das(os) psic\u00f3logas(os) no atendimento a transexuais e transg\u00eaneros, especialmente no que se refere \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o do processo psicol\u00f3gico transexualizador no SUS.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ressaltamos que a import\u00e2ncia da Psicologia no processo transexualizador tamb\u00e9m \u00e9 reconhecida e motivada, pelo Conselho Federal de Medicina, mediante as Resolu\u00e7\u00f5es 1.482 de 1997 e 1.955 de 2010, as quais disp\u00f5e que a(o) psic\u00f3loga(o) deve ser membro da equipe multidisciplinar necess\u00e1ria ao acompanhamento das pessoas transexuais que busquem os servi\u00e7os de refer\u00eancia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Considera\u00e7\u00f5es<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<div>Diante do exposto, o Conselho Federal de Psicologia CONSIDERA que:<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8211; A Psicologia tem o desafio de garantir \u00e0 popula\u00e7\u00e3o trans o respeito \u00e0 dignidade e o acesso aos servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade.<\/div>\n<div>&#8211; A transexualidade e a travestilidade n\u00e3o constituem condi\u00e7\u00e3o psicopatol\u00f3gica, ainda que n\u00e3o reproduzam a concep\u00e7\u00e3o normativa de que deve haver uma coer\u00eancia entre sexo biol\u00f3gico\/g\u00eanero\/desejo sexual.<\/div>\n<div>&#8211; Na Portaria MS n\u00ba 1.707\/2008, a psicoterapia \u00e9 requerida, consistindo no acompanhamento do usu\u00e1rio no processo de elabora\u00e7\u00e3o de sua condi\u00e7\u00e3o de sofrimento pessoal e social, antes e ap\u00f3s a tomada de decis\u00e3o da cirurgia de transgenitaliza\u00e7\u00e3o e demais altera\u00e7\u00f5es som\u00e1ticas. O processo psicoterap\u00eautico n\u00e3o se restringe, portanto, \u00e0 tomada de decis\u00e3o sobre cirurgias de transgenitaliza\u00e7\u00e3o e demais maneiras de modifica\u00e7\u00e3o corporal.<\/div>\n<div>&#8211; \u00c9 objetivo da assist\u00eancia psicol\u00f3gica a promo\u00e7\u00e3o da qualidade de vida da pessoa por meio do acolhimento e do apoio, a partir da compreens\u00e3o de que a transexualidade e outras viv\u00eancias trans s\u00e3o algumas das m\u00faltiplas possibilidades de viv\u00eancia da sexualidade humana.<\/div>\n<div>&#8211; As(os) psic\u00f3logas(os) devem considerar as in\u00fameras vari\u00e1veis presentes no discurso de pessoas que pleiteiam a cirurgia transexualizadora. As pessoas trans t\u00eam autonomia e podem buscar apoio e acompanhamento psicol\u00f3gico na rede de sa\u00fade p\u00fablica e privada, n\u00e3o s\u00f3 em centros de refer\u00eancia espec\u00edficos, de modo que a psicoterapia deve ser fundamental para a tomada de decis\u00e3o na realiza\u00e7\u00e3o do processo trans.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Orienta\u00e7\u00f5es:<\/div>\n<div>Posto isso, o Conselho Federal de Psicologia ORIENTA que:<\/div>\n<div><\/div>\n<div>&#8211; A(o) psic\u00f3loga(o) considerar\u00e1 e respeitar\u00e1 a diversidade subjetiva da pessoa que livremente optar pelo processo transexualizador, garantindo o direito constitucional \u00e0 sa\u00fade, ao atendimento humanizado e livre de discrimina\u00e7\u00e3o por orienta\u00e7\u00e3o sexual e identidade de g\u00eanero, conforme assegura a Carta dos Direitos dos Usu\u00e1rios da Sa\u00fade, institu\u00edda pela Portaria n\u00ba 675\/GM, de 31 de mar\u00e7o de 2006, e o C\u00f3digo de \u00c9tica Profissional da(o) Psic\u00f3loga(o).<\/div>\n<div>&#8211; O trabalho da(o) psic\u00f3loga(o) deve se pautar na integralidade do atendimento psicol\u00f3gico e na humaniza\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o estando condicionado, restrito ou centralizado no procedimento cir\u00fargico de transgenitaliza\u00e7\u00e3o e demais interven\u00e7\u00f5es som\u00e1ticas, aparentes ou n\u00e3o, conforme determina\u00e7\u00e3o da Portaria MS n\u00ba 1.707\/2008.<\/div>\n<div>&#8211; A assist\u00eancia psicol\u00f3gica n\u00e3o deve se orientar por um modelo patologizado ou corretivo da transexualidade e de outras viv\u00eancias trans, mas atua r como ferramenta de apoio ao sujeito, de modo a ajud\u00e1 &#8211; lo a certificar &#8211; se da autenticidade de sua demanda, englobando todo o seu contexto social.<\/div>\n<div>&#8211; \u00c9 objetivo da assist\u00eancia psicol\u00f3gica a promo\u00e7\u00e3o da autonomia da pessoa, a partir de informa\u00e7\u00f5es sobre a diversidade de g\u00eanero e esclarecimentos sobre os benef\u00edcios e riscos dos procedimentos de modifica\u00e7\u00e3o corporal e social. O sujeito deve ter clareza de que a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 singular e flex\u00edvel e que o projeto terap\u00eautico pode ser modificado de acordo com as necessidades de cada um.<\/div>\n<div>&#8211; A(o) psic\u00f3loga(o) dever\u00e1 valer &#8211; se de pesquisas e estudos culturais na \u00e1rea de g\u00eanero e sexualidade na tentativa de buscar um respaldo te\u00f3rico para entendimento desse contexto social para supera\u00e7\u00e3o da heteronormatividade.<\/div>\n<div>&#8211; O acompanhamento psicol\u00f3gico, requerido pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, deve basear-se no acolhimento, e\/ou na escuta e\/ou na avalia\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica, quando necess\u00e1rio, ao longo de todo o processo transexualizador.<\/div>\n<div>&#8211; No processo de avalia\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica, aspectos n\u00e3o correlatos a viv\u00eancia trans e\/ou ao processo transexualizador, como traumas, transtornos alimentares, dism\u00f3rficos corporais e quaisquer caracter\u00edsticas de desordens ps\u00edquicas precisam ser devidamente consideradas com a finalidade de promo\u00e7\u00e3o da sa\u00fade do sujeito.<\/div>\n<div>&#8211; O termo de consentimento informado deve ser um instrumento de esclarecimento ao usu\u00e1rio, no servi\u00e7o p\u00fablico ou privado. A assinatura do termo pelo usu\u00e1rio n\u00e3o exime o profissional ou o servi\u00e7o de responsabilidade em rela\u00e7\u00e3o a sua pr\u00e1tica.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Refer\u00eancias<\/strong><br \/>\n<span class=\"box4\">GU\u00cdA DE BUENAS PR\u00c1CTICAS PARA LA ATENCI\u00d3N SANITARIA A PERSONAS TRANS EN EL MARCO DEL SISTEMA NACIONAL DE SALUD. Editada por la Red por la Despatologizaci\u00f3n de las Identidades Trans del Estado espa\u00f1ol. 2012.\u00a0<br style=\"margin-top: 0px;margin-bottom: 0px;padding-top: 0px;padding-bottom: 0px\" \/><br style=\"margin-top: 0px;margin-bottom: 0px;padding-top: 0px;padding-bottom: 0px\" \/>BRASIL. Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Federativa do Brasil . Bras\u00edlia, DF: Senado Federal. 1988.\u00a0<br style=\"margin-top: 0px;margin-bottom: 0px;padding-top: 0px;padding-bottom: 0px\" \/><br style=\"margin-top: 0px;margin-bottom: 0px;padding-top: 0px;padding-bottom: 0px\" \/>BRASIL. Lei n\u00ba 8.080 , de 19 de setembro de 1990. BRASIL, Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Carta dos Direitos dos Usu\u00e1rios da Sa\u00fade. Portaria. N\u00b0 675\/GM\/ 2006. 31 de mar\u00e7o de 2006.\u00a0<br style=\"margin-top: 0px;margin-bottom: 0px;padding-top: 0px;padding-bottom: 0px\" \/><br style=\"margin-top: 0px;margin-bottom: 0px;padding-top: 0px;padding-bottom: 0px\" \/>BRASIL. Conselho Federal de Medicina. Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 1.955\/2010. Disp\u00f5e sobre a cirurgia de transgenitalismo e revoga a Resolu\u00e7\u00e3o CFM n\u00ba 1.652\/02. Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o , Bras\u00edlia, DF, 3 set 2010a. Se\u00e7\u00e3o 1, p.80 &#8211; 1.<br style=\"margin-top: 0px;margin-bottom: 0px;padding-top: 0px;padding-bottom: 0px\" \/><br style=\"margin-top: 0px;margin-bottom: 0px;padding-top: 0px;padding-bottom: 0px\" \/>CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba 1.482\/97. Dispon\u00edvel em:<a href=\"http:\/\/www.portalmedico.org.br\/resolucoes\/cfm\/1997\/1482_1997.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">http:\/\/www.portalmedico.org.br\/resolucoes\/cfm\/1997\/1482_1997.htm<\/a>\u00a0. Acesso em: 10 de agosto de 2010.\u00a0<br style=\"margin-top: 0px;margin-bottom: 0px;padding-top: 0px;padding-bottom: 0px\" \/><br style=\"margin-top: 0px;margin-bottom: 0px;padding-top: 0px;padding-bottom: 0px\" \/>CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA. Resolu\u00e7\u00e3o CFP n\u00ba 1\/1999 , de 22 de mar\u00e7o de 1999.\u00a0<br style=\"margin-top: 0px;margin-bottom: 0px;padding-top: 0px;padding-bottom: 0px\" \/><br style=\"margin-top: 0px;margin-bottom: 0px;padding-top: 0px;padding-bottom: 0px\" \/>MINIST\u00c9RIO DA SA\u00daDE . Portaria MS n\u00ba 457 , de 19 de agosto de 2008.\u00a0<br style=\"margin-top: 0px;margin-bottom: 0px;padding-top: 0px;padding-bottom: 0px\" \/><br style=\"margin-top: 0px;margin-bottom: 0px;padding-top: 0px;padding-bottom: 0px\" \/>MINIST\u00c9RIO DA SA\u00daDE. Portaria MS n\u00ba 1.707 , de 18 de agosto de 2008.\u00a0<br style=\"margin-top: 0px;margin-bottom: 0px;padding-top: 0px;padding-bottom: 0px\" \/><br style=\"margin-top: 0px;margin-bottom: 0px;padding-top: 0px;padding-bottom: 0px\" \/>MINIST\u00c9RIO DA SA\u00daDE. Manual Operacional para Comit\u00eas de \u00c9tica em Pesquisa . Bras\u00edlia, 2008.<\/span>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"corridonormal\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"margin-top: 0px;margin-bottom: 0px;padding-top: 0px;padding-bottom: 0px;border: none\" src=\"http:\/\/www.crpsp.org.br\/portal\/img-geral\/transp.gif\" width=\"20\" height=\"20\" \/><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"author":2,"template":"","legislacao_categoria":[21],"class_list":["post-2701","legislacao","type-legislacao","status-publish","hentry","legislacao_categoria-notas-tecnicas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/transparencia.cfp.org.br\/crp06\/wp-json\/wp\/v2\/legislacao\/2701","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/transparencia.cfp.org.br\/crp06\/wp-json\/wp\/v2\/legislacao"}],"about":[{"href":"https:\/\/transparencia.cfp.org.br\/crp06\/wp-json\/wp\/v2\/types\/legislacao"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/transparencia.cfp.org.br\/crp06\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/transparencia.cfp.org.br\/crp06\/wp-json\/wp\/v2\/legislacao\/2701\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":6460,"href":"https:\/\/transparencia.cfp.org.br\/crp06\/wp-json\/wp\/v2\/legislacao\/2701\/revisions\/6460"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/transparencia.cfp.org.br\/crp06\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2701"}],"wp:term":[{"taxonomy":"legislacao_categoria","embeddable":true,"href":"https:\/\/transparencia.cfp.org.br\/crp06\/wp-json\/wp\/v2\/legislacao_categoria?post=2701"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}